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Blog do Dr. Thiago Iria

QUAL É A MELHOR ANESTESIA? QUAL A MAIS PERIGOSA? COMO É REALIZADA?

As perguntas que intitulam este post, sempre estão presentes na cabeça de qualquer paciente que deseja se submeter a uma cirurgia plástica. Apesar da opinião do cirurgião, a decisão final do tipo de anestesia a ser utilizada deverá ser feita pelo médico anestesista, ou anestesiologista.

Tecnicamente o anestesista administra os medicamentos anestésicos para que haja uma cirurgia com segurança. Além disso, ele monitora, controla e acompanha o quadro fisiológico do paciente – freqüência e ritmo cardíacos, pressão arterial, respiração etc.

A decisão sobre qual o tipo de anestesia será utilizada na cirurgia plástica, é feita pelo cirurgião plástico e pelo anestesista, com base em todas as informações sobre a saúde e hábitos do paciente. Desde os exames realizados no pré-operatório, o histórico médico, o uso de medicamentos, alergias, reações adversas a anestesias, entre outros fatores.

As anestesias mais utilizadas em cirurgia plástica são a LOCAL, SEDAÇÃO, GERAL e PERIDURAL. Em alguns procedimentos a anestesia local é comumente utilizada.

TIPOS DE ANESTESIA

ANESTESIA LOCAL

É a anestesia que é aplicada apenas no local onde a intervenção cirúrgica será realizada. Trata-se de um bloqueio reversível da transmissão do impulso nervoso na região, que anula a possibilidade de dor.

Reservada normalmente para procedimentos menores, tais como a rinoplastia, otoplastia (correção de orelha em abano), blefaroplastia (correção das pálpebras) e lifting facial (ritidoplastia).

ANESTESIA LOCAL

A anestesia local é direta, através da infiltração do anestésico no local desejado. O tempo de duração depende do tipo do anestésico (xilocaína com duração menor que bupivacaína), da concentração do anestésico (maior a concentração, maior a duração) e da presença de substâncias que retardem sua absorção (adrenalina diluída).

Obviamente é um meio anestésico inicialmente um pouco mais doloroso, já que requer a infiltração por punção percutânea em vários pontos. Isso é minimizado pelo cirurgião ao realizarmos infiltrações progressivas, sempre a partir da área anteriormente anestesiada.

As dosagens para cirurgia de nariz, pálpebras, face e/ou orelha são normalmente baixas e diluídas, portanto seguras.

Pacientes que têm baixa tolerância a dor das punções, ou mesmo pavor de agulha, podem realizar o procedimento associado à sedação endovenosa, que permite tranquilidade na execução, com o paciente dormindo. Nesses casos, sempre com monitorização e presença do médico anestesista.

A anestesia local pode transforma-se em regional quando um determinado nervo é bloqueado, permitindo que áreas um pouco maiores fiquem sem sensibilidade dolorosa. Isso é muito utilizado na face, com bloqueio de ramos nervosos específicos e nos membros superiores/inferiores.

 

SEDAÇÃO

Geralmente, é associada a algum outro tipo de anestesia, e provoca a diminuição da ansiedade e a perda da consciência. Sua aplicação é baseada em ansiolíticos, analgésicos e hipnóticos.

SEDAÇÃO

Com o uso da anestesia local com sedação a pessoa ainda fica consciente, mas é menos do que o normal. Ela só perde a consciência com anestesia geral. Há um grande relaxamento para que tudo possa ser feito com calma e o paciente não atrapalhe a sua realização.

Pode ser dividida em três níveis de intensidade:
• Nível de sedação mínima – O paciente responde à comandos verbais, mas tem a coordenação motora e as atividades cognitivas afetadas.
• Nível de sedação moderada ou consciente – O paciente tem a consciência reduzida, mas responde a comandos verbais quando recebe contato tátil.
• Nível de sedação profunda – O paciente não pode ser facilmente despertado, tendo efeito semelhante à anestesia geral. Pode ser necessário o auxílio do anestesiologista para manter a função respiratória.

Utilizando a sedação, diminuímos a dor e a ansiedade do paciente, o que é comum ocorrer devido ao procedimento e à espera de bons resultados.

 

ANESTESIA GERAL

A anestesia geral é realizada por via endovenosa (pela veia) e respiratória, promove anestesia do corpo todo e a necessidade de intubação e assistência ventilatória (mecânica). Essa forma de anestesia, apesar de ter fama de perigosa é considerada pelos anestesistas como das mais seguras. Isso porque o paciente respira com auxilio de uma máquina, ou seja, sua via aérea e oxigenação estão assegurados por um tubo orotraqueal e um ventilador que fazem as troca gasosas.

CIRURGIA GERAL

 

Nessa anestesia o paciente encontra-se completamente desacordado em virtude das drogas injetadas e a anestesia é administrada normalmente por troca gasosa (via tubo orotraqueal), por anestésicos venosos ou por um misto dessas duas formas.

Essa forma de anestesia, apesar de segura, também trás alguns problemas tais como aumento de sangramento, maior incidência de enjôo no pós-operatório, maior dor no pós-operatório, posibilidade de incômodo transitório na garganta depois da cirurgia (devido ao uso do tubo orotraqueal) e necessidade de extremo cuidado no manejo de pacientes em cirurgias que precisam trocar a posição, tais como a lipospiração, já que o paciente não tem reflexos e a região cervical fica desprotegida. Além disso, o custo dessa anestesia é maior devido ao valor do anestésico utilizado.

Alguns cuidados devem ser tomados pelo paciente antes da aplicação de uma anestesia geral, tais como: jejum de 8 horas e suspensão de medicações que interfiram no efeito da anestesia. Esses cuidados são essenciais para que não hajam sangramentos intensos durante a cirurgia ou aspiração pulmonar, por exemplo.

Eventuais complicações ainda podem acontecer durante o procedimento de entubação orotraqueal, minimizados pelo exame prévio da via aérea pelo anestesista, identificação de eventuais potencias alérgicos e adequada oxigenação prévia, rotineiramente feita pelo médico anestesista.

Qualquer cirurgia plástica pode ser executada através de anestesia geral, o custo-benefício entre as formas de anestesia devem ser pesados previamente com seu cirurgião.

 

ANESTESIA PERIDURAL

A anestesia peridural ou epidural é um tipo de anestesia que é dada no espaço epidural, que se situa na região lombar da coluna vertebral, entre as vértebras, e que afeta apenas uma parte do corpo, geralmente da cintura para baixo, mantendo a pessoa acordada.

Geralmente, é acompanhada de sedação para que o paciente permaneça dormindo durante todo o procedimento. Em procedimentos de cirurgia plástica, ela é muito utilizada para cirurgias como mamoplastia, inclusão de prótese, lipoescultura, abdominoplastia, dentre outras, ou seja, pode anestesiar adequadamente tronco e membros inferiores. O que leva a paciente a ficar sonolenta é a sedação aplicada na veia, não a anestesia peridural propriamente dita.

ANESTESIA PERIDURAL

O que a difere é a profundidade em que a agulha injeta os anestésicos, o que influenciam na duração e rapidez de ação dos anestésicos.

ANESTESIA PERIDURAL

NÃO DÓI, porque o anestesiologista aplica um anestésico local antes de dar a picada. No entanto, é possível sentir uma ligeira e suave picada quando a agulha é colocada e depois uma pressão e sensação de calor quando o remédio anestésico é colocado.
ANESTESIA PERIDURAL
O risco de complicações é baixo quando tecnicamente bem executada, com paciente monitorizado e quando não há excessos na dose dos sedativos. Caso o médico anestesista opte por utilizar a morfina na peridural o tempo sem dor no pós operatório é maior, no entanto, a chance de você ter enjôo e vômitos é grande, por isso muitos cirurgiões plásticos evitam seu uso associado.
ANESTESIA PERIDURAL
Justamente por não haver contato com a medula a chance do paciente ter complicações como paralisia de membros é baixíssima, mas não nula, já que pode acontecer aplicação do anestésico no espaço justamedular (tal como na raquianestesia), eventuais sangramentos, reações químicas ou mesmo alérgicas, dentre outros.

 

DÚVIDAS E MEDOS COMUNS

É comum ter reações alérgicas após a anestesia?
– As reações alérgicas a agentes anestésicos propriamente ditos são pouco comuns e a maioria delas são de mínima gravidade, envolvendo outras substâncias como antibióticos contrastes ou analgésicos. Reações anafiláticas são raríssimas.

Há risco de eu não acordar após a cirurgia?
– A anestesia é um procedimento extremamente seguro. Na sala de cirurgia, o médico anestesista usa vários monitores que informam continuadamente como o corpo do paciente esta reagindo.

Eu posso acordar antes do término da cirurgia?
– A moderna anestesia existe para proporcionar conforto e segurança aos pacientes. O tempo necessário para acordar dependera de uma série de fatores relacionados ao organismo do paciente, bem como ao tipo de cirurgia. E ele pode ser mantido inconsciente até ser levado a unidade de terapia intensiva (UTI) e até ser acordado somente após a realização de exames, ou mesmo depois que o organismo começou a apresentar sinais adequados de recuperação clínica.

Ha riscos de paralisia após tomar a anestesia raquidiana ou peridural?
– As técnicas evoluíram bastante nos últimos anos e, por isso, o risco em torno desses tipos de anestesia é considerado mínimo.

 

 

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